Sabe qual foi a grande tendência da semana de moda de Nova Iorque? A trend que foi unânime em TODOS os desfiles?
Essa:
A CARA DELEVINGNE.
Nada brilhou mais do que essa moça. Em todas as passarelas. Ela é a IT PEÇA de 2013. Ela bomba. Ela arrasa.
E eu fiquei aqui pensando: POR QUE A CARA DELEVINGNE É TÃO INCRÍVEL?

E eu percebi. Bora do começo.
Quando criança, eu já era apaixonada por revistas de moda. Na minha casa tinha todas: Vogue, Vanity Fair, Glamour, todas. Minha mãe sempre trabalhou com isso e eu tive o privilégio de ter acesso às revistas gringas mais difíceis de encontrar (e caríssimas, quando encontradas) naquela época.
Quando via as modelos, já adolescente, sempre pensava: “Isso é um trabalho bom, hein? Fica parada sendo linda e deixa o fotógrafo clicar. Ganha rios de dinheiro. Vai pra casa descansar a beleza”.
Adulta, comecei a trabalhar com essas meninas todas. Editei e produzi ensaios fotográficos com dezenas e dezenas de modelos diferentes. Selecionei meninas em castings nas maiores agências de São Paulo. Um pouquinho mais adulta ainda, fui para o outro lado da câmera. Não como modelo, claro. Mas, mesmo assim, como blogueira, sou fotografada o tempo todo. Em eventos, em matérias para revistas, nos looks do dia que faço direto.
Há um bom tempo descobri que a vida das modelos não é fácil. Todo mundo já conheceu ou conhece alguém que tentou ser modelo e não vingou. E as pessoas dizem: “Por que será? Ela é tão linda, é perfeita!”.
Acontece que ser modelo não é sobre ser linda.
Quando eu era editora de moda da revista Nova, trabalhei muitas vezes com a fotógrafa Mari Queiroz, uma pessoa querida e uma profissional competente. Ela sempre dizia assim, pras modelos, na hora dos cliques: “ACREDITA! Vai gata, ACREDITA!“. Daqui a pouco, de novo: “Linda, você não está ACREDITANDO! ACREDITA!“.
E eu, do lado, me ligava que, na maioria dos casos, aquela palavra, ACREDITA, não significava nada para a modelo (e tenho certeza que a Mari também percebia).
Ser modelo significa acreditar. Em várias coisas. Acreditar NELA MESMA, antes de tudo. Se achar sensacional. Acreditar que você é linda, que você é sexy, que você pode, que você tá arrasando, que você tem atitude, que você tem per-so-na-li-da-de.
Isso aqui é a cara de uma modelo ACREDITANDO:

Meu, se liga nesse olhar. Eu mataria metade da Ford Models para encontrar esse olhar em um casting alguns anos atrás…
Gente, acreditar não é fácil. Acreditar é ser confiante. E confiança em si mesma começa a ser construída muito cedo, cedo demais, muito antes da menina decidir ser modelo e muito antes de saber se vai ser linda ou não quando tiver idade para ser modelo. Acreditar vem antes de ser linda.
Quando comecei a aparecer na foto, e não criar a foto, eu fazia tudo errado. Não sabia que tinha uma expressão certa que fazia meu rosto melhor. Não sabia que a maquiagem importava tanto. Não sabia qual a posição que deixava meu corpo mais bonito. Que me fazia mais alta. Qual o melhor sorriso. Descobri que é difícil pra porra, tudo isso. Hoje, acostumei. Já sei essas coisas. Mas precisei ver mil fotos péssimas de mim mesma para sacar.
E eu não sou modelo! Não preciso ser linda, embora sempre ACREDITEI. Sempre. Culpe minha mãe, quem mandou ela passar a vida inteira me dizendo que eu era a mulher mais bonita e inteligente do mundo? A gente acredita na mãe. Depois vira adulta, descobre que era mentira dela, coisa de mãe coruja, mas aí já está dentro do coração.
Mas imagina pras modelos? Que dureza? Elas sim, têm que ser perfeitas. Elas vivem de acreditar. Não acreditou? Então baby… Você pode ser mais gata que a Gisele, não vai fazer a me-nor diferença. Você, então, é só mais uma menina linda.
A Cara Delevingne acredita tanto, mas tanto, que a beleza dela (que é de tirar o fôlego até da mulherada) fica em segundo plano.
Ela acredita em rir:

Ela acredita que é incrível ao ponto de não ter medo de ser ridícula:

Ela acredita no carão:

Sabe o que a gente devia fazer?
Devíamos adotar essa grande tendência das passarelas da New York Fashion Week 2013 com tudo, esse ano. Praticar o “se achismo positivo”. Eu vou. Já tô praticando, aliás.
E você?