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(o portão de Brandemburgo)

Sabe que eu tô aqui (aqui = Berlim, desde sábado) com uma listona de post bacanas pra fazer pra vocês. Tem umas dicas de beleza legais, tem umas dicas de Londres – ainda! – e de Berlim também.

Mas agora, que acordei depois de um dia praticamente de cama, passando mal mesmo (acho que tô pegando uma gripe européia, sério, o vírus daqui é diferente e pega nós brazucas de jeito, já aconteceu comigo em Amsterdam muitos anos atrás), mudei o tema do post.

Não vai ser sobre beleza nem sobre as dicas de viagem – embora, fique sussa, eu farei esses também. Mas é sobre algumas coisas da vida, dessas que você (eu, no caso) só pensa quando está longe de casa e ainda por cima doente.

Pra começar, domingo aconteceu algo muito, muito especial comigo. Muito lindo. E, se eu não conto aqui no blog, me sinto culpada, acredita? Acontece que estou aqui com o Fe, meu marido, quem me segue no insta (@julianaali) já tá sabendo.

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(meu casal preferido)

Bom, eu e o Fe estamos juntos há 4 anos. Ele embarcou comigo em uma missão maluca, quando nos apaixonamos: pegar uma mulher recém divorciada, com um filho de um ano debaixo do braço, e entrar pra essa família.

O Fe se responsabilizou pela nossa família MESMO. Pulou de cabeça. Trocou fralda, fez amizade com o pai do meu filho, foi o grande responsável pela vida maravilhosa que tenho. Uma vida onde pai, mãe, filho e padrasto convivem e se entendem. O cara foi macho, saca? Não é qualquer um que tá disposto a isso.

Enfim. Minha relação com o Fe é sensacional. A gente quase nunca briga. Quase nunca mesmo. Galera vive dizendo que casal que não briga não se ama, que se tem briga tem amor. BULLSHIT. Tem casal bacana que não briga porque têm paciência um com o outro, coloca a harmonia antes de vontades individuais, é parceiro, vai junto na mesma direção, entende? A gente é assim. Vive com harmonia, somos felizes.

Mas nunca casamos. Nós dois já fomos casados, já passamos por isso, já nos separamos, o ritual do casamento não significa tanto pra nós, sabe? Mas eu sempre, SEMPRE, quis uma aliança. Pra mostrar pro mundão que nenhum dos dois tá aí, livre e desimpedido. Não temos papel mas somos marido e mulher. Coisa de mulherzinha, coisa romântica, sei que sempre foi bobeira minha, mas eu queria porque queria.

Eu, minhas amigas, minha irmã, todo mundo já jogava indireta pra ele. E o Fe fazendo a egípcia na caruda. Pô, Fe, custa??? De uns tempos pra cá, mais do que nunca, ele dando uma de joão sem braço.

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(a Torre de TV em Berlim – Fernsehturn)

Bom, domingo, Fe me levou de surpresa no restaurante giratório que fica em cima da Torre de TV, marco de Berlim (terra do meu pai, que significa muito pra mim e eu nunca tinha vindo antes). De surpresa mesmo, tipo “entra aqui nesse taxi e confia em mim”.

Chega lá em cima, eu noto que ele tinha feito uma reserva nesse restaurante ainda no Brasil. Ai, que lindo, todo planejadinho, adorei! Sentamos na mesa e fiz a piadinha: “Nossa amor, que surpresa gostosa, agora só faltava você tirar a aliança que eu quero tanto aí do bolso e me dar, hein? Aí eu ia lembrar desse dia pra sempre!”. A resposta: “Então tá bom.”, assim, bem normal, e a caixinha aparece, MESMO, na minha frente.

Depois fiquei sabendo que ele tava preparando isso desde novembro, que já tinha encomendado tudo, que galera em SP já sabia… Foi um momento realmente inesquecível.

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(uma parte da vista do restaurante giratório da Fernsehtuhm)

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(fotos das fotos analógicas que eu e Fe fizemos no restaurante da Fernsehtuhm)

Hoje, acordo passando mal.

Não quis contar pro Fe, sabe? Ele queria fazer mil coisas, eu pensei, “vou segurar a onda, vai rolar”. Saí belíssima fazendo cara de maravilinda e… Duas horas depois, cataploft. Minha pressão caiu, pernas ficaram bambas, eu, branca, olho pro Fe e falo: “Amor, desculpa, tenho que voltar pro hotel”. Ele, que comia um hamburger no momento, largou tudo, achou o primeiro taxi e me trouxe.

Durante o caminho todo, eu pedia desculpas. Durante o caminho todo, ele dizia “me deixa cuidar de você”. Me senti tão amparada. Tão protegida. Uma sensação boa e difícil de se ter na vida.

Agora, vou finalmente dizer a moral da história, quem sabe aí você entende porque digo tudo isso.

Berlim é uma cidade um pouco triste.

Linda, cheia de gente sorridente que te trata bem, cheia de árvores e luz, mas ainda assim um pouco triste. Parece que todas as tragédias que já aconteceram aqui ficaram marcadas pelos cantos, às vezes é uma sensação, às vezes está marcado de verdade. E aqui aconteceu muita tragédia, pra muita gente, e nem faz muito tempo.

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(em muitas ruas de Berlim, homenagens no chão marcam onde moravam pessoas que foram levadas a Campos de Concentração e nunca voltaram)

Ontem andei com o Fe ao lado de um pouco que resta do antigo muro de Berlim. 200 metros seguidos, ainda erguidos, na frente do museu Topografia do Terror. Enquanto a gente andava, eu lia antigas frases que foram pichadas nas paredes, e resistiram até hoje.

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(eu andando ao lado de uma parte do muro de Berlim)

Tinha uma que era “Fulana, espero que algum dia a gente possa se ver de novo“. Outra dizia “Feliz Aniversário, Fulana”. Muitas diziam “Saudade“, seguidos de nomes de homens e mulheres.

Dá pra entender? Em nenhum momento vi a frase “quero ser magra“. Nem “meu sonho é ter uma bolsa da Chanel“. E nem “que legal que eu sou rico“. Aquilo é sobre gente, gente com gente. Sobre amor. Sobre a única coisa que importa no fim das contas. No final de tudo. Na hora do desespero.

Eu tenho isso. O amor, o que importa. Você deve ter também. Seja amor de mãe, de filho, de marido/mulher, de amigo.

A gente tem tudo, eu e você, sabia?

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