Sou uma pessoa exagerada. Daquelas que, se ficou meia hora parada no trânsito, chega em casa e fala: “Fiquei 5 anos no trânsito!!!!”. Daquelas que, se uma pessoa telefonou três vezes, fala: “Fulano passou o dia me ligando!!!”. Não tenho uma tatuagem. Tenho 800. Quedizê, 18, na verdade. Também sou daquelas que beija muito, abraça muito, fala “eu te amo” o tempo todo, dá muita risada, acha a vida linda, sou otimista até o fim, sem vergonha nenhuma.

Sempre achei o máximo aquelas mulheres que falam devagar, delicadamente, meio lânguidas, tipo a Gwyneth Paltrow, sabe? Mulheres que parecem estar sempre calmas. Não sou assim. Sou toda exagero e sou toda para fora. Não tenho timidez alguma, vou de pijama comprar pão na padaria, faço amigos fácil, poso para fotos toda feliz, faço palestra sem nervosismo, tenho uma boca suja que só vendo. Se alguém tira sarro de mim, tiro sarro junto, não tenho o menor medo de ser ridícula.

Falo muito, muito rápido. Quando dou alguma entrevista, quando tenho que falar no vídeo, fico o tempo inteiro me controlando para falar mais devagar e depois, quando assisto, ainda acho que falei rápido demais. Minha gargalhada é um monstro. Quando meu filho era bebê, sempre levava um susto quando mamãe achava graça de alguma coisa.

Enfim, todo esse exagero não me faz discreta, não me faz calma, não me faz lânguida, mas me faz uma pessoa colorida.

Mas por que estou falando tudo isso? É que eu estava vendo as sobras das fotos que tirei para fazer o novo header do blog (foram três “ensaios”, no total) e estava rindo de mim mesma. Acho que nelas dá para ver toda essa graça, em qualquer sentido que você queira entender essa palavra. Olha só:

É muita cara, é muita boca, é muito exagero… Acho que foi por isso que o resultado foi esse quando o fotógrafo querido Ivan Shupikov fez um ensaio comigo.

Mas sabe o que é curioso sobre tudo isso? As pessoas tendem a me achar meio maluca por causa dessas características todas que eu descrevi. Vivem me dizendo coisas do tipo: “você é doida”, “essa Juliana é uma figura” ou “ah, aposto que você gosta de uma balada!!!”. Acho que são as tatuagens, a gargalhada, a fala rápida, o jeito que me visto.

E a verdade é muito diferente. Sou careta demais. Quase não bebo. Sou uma pessoa séria, responsável, sempre fui, desde criança. Nunca fui de balada. Sempre que tenho uma festa, um evento, olho para meu sofá com meu cobertorzinho (que sempre está lá, até no verão)… e o sofá e o cobertorzinho ganham toda vez. Tenho que sair arrastada, meus amigos querem me matar, sou a furona da galera. Levo a frase “there’s no place like home” a outro patamar.

Gosto de trabalhar. Trabalhei desde cedo, sempre preocupada em fazer direito. Ao mesmo tempo, nunca dei trabalho. Era boa aluna na escola, aos quinze anos já tinha lido uns 100 livros (agora acho que não estou exagerando hehehe) e escrito um livro também. Fiz uma das melhores faculdades de jornalismo do Brasil. Mas sempre, sempre gargalhando, fazendo piada, pintando o cabelo de vermelho, azul, rosa, e fazendo tatuagem.

Peguei pra mim, há anos, uma frase do filme Pretty Woman, que acho que me define. Tem uma cena onde a Julia Roberts fala pro Richard Gere: “Você não bebe, não fuma, não usa drogas, trabalha horrores… você não curte, não se diverte?”. Ele responde: “I’m high on life, can’t you tell?”. O que quer dizer, super livremente traduzindo, “estou viajando na vida, você não percebe?”. Eu sou assim. A vida já me deixa louca, no melhor sentido da palavra. Amo a vida. Sou feliz porque sim. Acho que ser feliz é uma característica de nascença, tipo ter olho azul ou cabelo preto ou tendência para engordar, não é uma escolha. Tanto faz se você é rico, pobre, lindo, feio, bem sucedido, um loser. Quem é feliz, é feliz. Nasceu feliz. Eu nasci feliz.

Viver me basta.

Enfim, resolvi começar a semana dividindo um pouco de mim com vocês. Boa semana, queridos!!! <3